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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O nosso amor é singular

Eu gosto da sua barba mal feita, de como as falhas contornam sua boca. Gosto do seu cabelo mais curto e despenteado. Gosto de quando fala baixinho me arrancando o fôlego, do quanto sua pele esquenta ao encostar na minha. Ou como seus olhos procuram os meus nas horas mais inoportunas. Gosto de como você sorri. Não apenas como sorri pra mim, mas para os seus amigos também. É que as vezes, quando estou de longe, eu paro um pouco pra te olhar. Adoro como o seu mundo é completo e você está tão bem nele. Eu não causo tanto impacto assim, afinal, você não estava me procurando - eu te encontrei no caminho.

Eu queria que soubesse, o quanto eu quero você. Um querer desses que sugam a alma da gente. Mas queria mesmo, que você me amasse tão detalhadamente, quanto eu amo aquela cicatriz do lado esquerdo do seu peito. A covinha nas suas costas e aquele short de caveirinha que só ficaria bem em você. O quanto a nossa sintonia chega a ser assustadora, e como isso é tão perceptível assim. Como temos o nosso próprio ritmo, diferente de todos os outros por aí. De Caetano a Britney Spears, eu só sei dançar se for com você. Culpa de uma intimidade que chegou estranhamente rápida, mas extremamente deliciosa. Onde até as nossas diferenças se entendem. Um encaixe perfeito, como se cada centímetro do meu corpo fosse milimetricamente moldado para que juntos, em uma rede na varanda, eu me sinta completa e absurdamente confortável. Ou em impublicáveis momentos e confissões ao pé do ouvido, que a gente sabe bem. 

Eu queria que entendesse, que a minha vida ficou infinitamente melhor, depois que as nossas loucuras se cruzaram. Que por você bebo inúmeros copos de água entre as taças vinho, que também aprendi a gostar de surf, jiu jitsu e academia. Você me faz gostar mais de mim. A me sentir a vontade com um jeans qualquer e uma camiseta branca. Alias, a me sentir a vontade do jeito que eu quiser. Porque a simplicidade com que a gente se gosta é única e faz toda a diferença.

Se você ainda desconhece, quero que saiba que eu te amo, e desejo a tranquilidade do seu olhar com a mesma intensidade que desejo que a distância que nos separa se acabe logo. Porque no fundo, eu gosto de me encontrar em você. Gosto da facilidade com que aprendemos a nos entender e aceitar e como deixamos que a confiança que foi erguida com essa forte parceria, tome conta de nós. E se ainda não sabia de tudo isso, agora sabe. Então me faz um favor e fica. Por mais um segundo, uma vida inteira. Fica.

Eu gosto do nosso amor - ele é singular. E eu não mudaria nada.



sexta-feira, 31 de julho de 2015

E se quiser mesmo ir

Ainda é cedo amor, e eu entendo. A vida está apenas começando, pra nós dois. De formas sublimes, assim como você, sua partida já me foi anunciada. Mesmo sem saber ao certo qual rumo irá tomar. Meu coração pôde ouvir, bem antes do seu.

Que seja doce, devagar. Assim como foi a sua chegada.Vá me ensinando a te esquecer, ou a me lembrar sem culpa. Troque o perfume, o cheiro que ficou na minha pele. Vá levando tudo aos poucos, leve meus medos com você. Leve, leve o muito do que ainda somos. Me deixa apenas com o egoísmo, de te querer só pra mim.

Embora eu saiba que está decidido, queria te dizer que em cada esquina, você deixa um pouco da sua vida. Em pouco tempo não vai ser mais o que é. Entenda a minha aflição, eu provavelmente também não serei a mesma. Mas quem sabe um dia, possamos nos re-conhecer melhor. 

Apenas tome cuidado, amor, a vida não é bem o que você espera. Sonhos podem ser destruídos, ilusões reduzidas a pó. E de cada amor, restará só o cinismo. Queria poder te mostrar que o que procura não é tão bom ou importante assim e que prazeres momentâneos não alimentam a alma. Mas infelizmente, eu não posso.   

Por fim, amor, por te querer tanto e tão bem, te deixo livre. Mas te peço que, ao seguir seu caminho, não me compare com ninguém. Não busque nela o olhar que eu te dei. Ele, você só encontra em mim. Ele fica. Então, o deixo guardado aqui, caso um dia você retorne.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

A liberdade inventada

Todos andando em linha reta, e ela não consegue entender. Corações batendo no mesmo ritmo acelerado, e o dela ficando pra trás. Como se nada nesse mundo pudesse deixa-los tristes, eles são invencíveis, e ela assistindo ao fundo. 

Deslocada, discorda do mundo. Discorda da vida padronizada e da falta de vida em tudo isso. Sempre teve medo de acabar ali, disse que não aceitaria uma existência qualquer, mas se pega vivendo por viver. Se pega apenas sobrevivendo. Tempo passando, trazendo com ele medos e inseguranças, o tudo parecendo tão pouco, tão insuficiente e insignificante. 

Ela os vê conversando com um sorriso largo, mas eles não fazem ideia do que estão passando. Dirigem carros rápidos, mas nem ao certo sabem por onde andam. Mas sabem onde querem chegar, quase sempre no mesmo lugar.

Ela queria entender melhor, se encaixar melhor em tudo aquilo. Queria a felicidade recreada de uma vida imposta, ou pelo menos acreditar que sabe o que quer. Em um mundo de teatros e fotografias, ela queria mais tato, mais cheiro, mais abraços de verdade. Ela queria mais verdade. Ou pelo menos entender o sentido disso tudo. 

Aquele sentimento de estar no lugar errado, na hora errada. Aquele sentimento de não caber no espaço que lhe foi dado e que de alguma forma, não a pertence de verdade. Aquela culpa por erros jamais cometidos, ou o descaso por erros culpados. A saudade de coisas que não existem. A vida é bonita, a alma é leve, mas não cabe em pequenos espaços.

Como assistir o mundo do lado de fora, do alto, girando como um moinho desinteressado. Mais um dia, mais um café amargo. Queria sair por ai comendo, rezando e amando. Mundo afora, cara, coragem, fé. Mas como? Ela estava sozinha. Ela e sua liberdade inventada. 
     

domingo, 22 de março de 2015

Deixa, vai

Devo estar fora de mim, só pode. Que minhas amigas não me escutem, mas eu quero ele mesmo assim. Quero me atravessar, me olhar do alto, me testar. Ele sabe fazer isso, muito bem. Porque com ele, eu nunca soube, e se tem coisa que gosto é de não saber. Eu quero ele mesmo não querendo querer. Eu quero o sossego, a insegurança. Eu quero a saudade, o medo, a vontade. Será que eu gosto de sofrer? Não é possível, eu, euzinha aqui, sempre tão decidida e segura comigo mesma! Não, sofrer não.. Acho que gosto é de sentir.

Eu sinto, sinto muito. Exalo intensidade e preciso sempre de algo que me mova. Que me mova aqui dentro. Gosto do que me tira do sério, se é que existe alguma seriedade em mim. Gosto de ousar, experimentar, me atrever. Cair, levantar, cair de novo. Gosto de gostar.. ah, como eu adoro gostar! Mas gosto logo, gosto rápido, gosto mudando o gostar. Entende? Não, pois é. 

A verdade é que aprender é muito bom, e a gente aprende assim, sentindo. Aprendizado a gente não engole e manda pra dentro, a gente sente, experimenta, depois abusa. 

Quer saber? Se joga menina, se permita, se sinta! Que se danem as regras da sociedade. Quem disse que a sociedade quer saber de você? Ta afim? Elimina todo o resto. Deixa seu coração vibrar, nem que seja por alguns segundos. Deixa, vai.
     
Ai amigas, me desculpem, tá? O máximo que vai acontecer, é eu aprender mais um pouquinho. Mas prometo continuar dando conselhos sensatos, que eu nunca soube seguir.


quarta-feira, 18 de março de 2015

A Parede

Uma hora a gente acorda, de olhos abertos dessa vez. Abrir os olhos quando estão fechados a muito tempo pode ser doloroso. Um dia desses, abri os meus. A muito tempo esqueci das cores, das flores. Era tudo sentimento, cruel e dominante. Sim, eu que sempre acreditei no amor próprio acima de tudo, me descobri vendada por mãos que a mim nunca pertenceram. 

Quando abri os olhos, foi clarão, nocaute. A venda se foi e, por mais que eu buscasse a escuridão fácil que me escondia calorosamente, estava tudo ali, na minha frente - a luz. Em movimento, me vi atordoada e completamente inútil. Doeu na alma, e no coração. 

O que fazer quando isso acontece e você descobre que a vida seguiu esse tempo todo mas você ficou ali, estagnada em uma solidão a dois? Culpa dele? Não, o meu medo me causou isso tudo. O medo de enxergar de novo, uma vida sem sua presença. O medo de não gostar do que meus olhos podiam ver. O medo da dor, me impossibilitou esse tempo todo de me afastar dos dedos que me impediam de seguir em frente. Culpa não existe, mas sim a falta dela.

Quando re-descobri o rubor das faces, pude observar o que me restringia. Não era seu cheiro, seus olhos de cor indefinida, ou seu sorriso meio torto. Ali, na minha frente, uma parede. Demorei tanto pra chegar ali que, desistir era improvável. Então por ali fiquei, tentando atravessar uma porta sem fechadura. Inutilmente. Mais assustador ainda é descobrir que, não adiantava mais insistir. Dali, eu jamais passaria. 

Isso é o amor, ou quase ele. Por muito tempo me deixei levar por um sentimento que guiava os meus pés sem a minha consciência. Me levava a caminhos que eu desconhecia e pior, não me encontrava em nenhum deles. Eu que sempre me achei capaz de tudo, fui obstruída sem nenhum poder de escolha ou alternativa. 

Não adianta tentar entrar em lugares que não cabem o nosso coração, independente de qual tamanho ele seja. Não adianta tentar amar o que não pode ou sabe ser amado. Se a parede existe, meu amigo, nem ouse tentar pular o muro. Então, se retire. Eu me retirei. Dei ré, cai, levantei e saí andando mesmo que cheia de curativos. As vezes é importante saber recuar, para que possamos enxergar tudo com mais clareza, e nos fortalecer para continuar seguindo em frente. 

Muito triste quem não é capaz de deixar o amor entrar, e esqueceu aquele cimento duro e imaculado por ali mesmo. Aquela muralha que, mesmo protegendo de todo o mal que também pode adentrar, nos impede de sentir o calor dos raios de sol. Sigo de coração aberto. Aqui não, aqui o amor vai ser sempre bem recebido, obrigada. Sente-se, sinta-se em casa. Aceita um café?

Bom mesmo é ser bem vindo. Posso até entrar sem ser convidada, mas que minha presença seja mais que apenas notada.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sobre a mente feminina

Nossa, eu gostei dele. Gostei mesmo. Misterioso, não sei decifrar de jeito nenhum. Sorriso despretensioso, risada leve. Muitos amigos, isso é bom, muito bom. Com certeza ele curte MPB e livros. Será? Ah, acho que sim.

Cheiroso... nossa, como ele cheira bem! Se veste bem também. Aprovado. Gosto desse estilo de garoto largado e homem maduro. E comida japonesa? Tomara que ele goste, posso até levar ele no meu japonês preferido. E olha que não levo qualquer um pra lá, é meu cantinho especial. 

Ele tem cara de quem gosta de trilhas, praia. Ama o mar mas ama mais ainda as montanhas. Com certeza pratica algum esporte. Não tem cara de piolho de academia. Ainda bem. Ele não deve gostar muito de balada. Deve ter ido porque os amigos insistiram. Também não gosto tanto assim, mas as vezes é divertido. Espero que ele me acompanhe. Provavelmente a gente vai se dar tão bem que qualquer programa com ele seria divertido. 

Espero que ele tenha um mundo todo novo pra me apresentar também. Ele tem, eu sei que tem. Mal posso esperar pra saber um pouco mais.. qual será sua comida preferida? Por favor, que não seja fast-food. Será que ele também ama Woody Allen? Nossa, seria bom demais pra ser verdade.

Família! Nossa, com certeza é um cara bem família, da pra ver pela forma como ele falava com as pessoas. Um doce. Educado, na medida. Pelo menos é o que pareceu.

Pensando bem, ele deve gostar de natureza. É, com certeza gosta. E tem cara de tocar violão também. Nossa, amo homem que toca violão. Acho que ele falou alguma coisa sobre isso. E de gostar de friozinho e filme de fim de tarde. Seria maravilhoso. A gente, em uma casinha na montanha, ele tocando violão e eu queimando algum prato na cozinha. Ele gosta mesmo assim, e ainda da aquele risada gostosa que faz eu me sentir cada dia mais apaixonada. A gente vai se bastar, vai sim.

Tem gente que tem cara de ser engraçada né. Nada forçado, bem descontraído mesmo. Não sei, mas acho que seria um ótimo pai. Vai brigar comigo porque queria ter mais filhos, eu acho dois o suficiente. Sobre casar na praia, tenho que pensar no que dizer. Não sei, acho que prefiro um jardim bem grande e florido. Ele vai entender, eu sei que vai.

Vai dar tudo certo. Espero que a mãe dele entenda. Acho que mãe de homem é sempre mais preocupada. O pai não, o pai vai ficar feliz que ele deu uma tranquilizada desde quando me conheceu. Está mais focado no emprego também. Deve ser filho único. Mais complicado ainda...

Gente, será que eu passei meu número errado? Meu Deus, deve ser por isso que ele não mandou nada ainda! Droga, não perguntei o sobrenome dele. Agora como vou encontrar no facebook? Se bem que o número estava certo sim, lembro que conferi, certamente não deixaria isso acontecer. Nem tenho certeza se seus olhos são verdes ou castanho claro. As luzes eram muitas.

É, as vezes ele nem era não bonito assim... Bebi uns drinks também que podem ter me confundido. Se quer saber, provavelmente ele nem conhece Woody Allen. Se bobear ainda curte funk. Aí não dá. Acho que não era pra ser. Melhor que não mande nada mesmo. Estou focada em outras coisas agora. Não estou preparada pra um relacionamento.

Tem aquela viagem também que pretendo fazer final do ano com as minhas amigas. Com a cara de ciumento que ele tem... 




quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Nunca se sabe

Era inegável, não seu senso único de estilo, mas sua beleza extremamente natural. Olhar correspondido, satisfatório. Nervosismo. Saudade de quem ainda não conhece. Sentimento. Demorou, mas valeu a pena. Algumas palavras, estranho acumulo de interesse. Vontade. Logo então o beijo, como se o mundo fosse acabar ali. Desejo. Mais palavras, um breve adeus. Satisfação. Sorrisos e telefones trocados, certeza nenhuma. Ansiedade. Apita o celular. Que alívio! É um início, ou tentativa. Romance… nunca se sabe, amor. Ou pode ser mais um, qualquer um. Pode ser, ou não. Bom dia!